//Extensão

A Extensão

UNIVERSIDADE E EXTENSÃO

Universidade, segundo a etimologia latina, é a totalidade ou universalidade dos conhecimentos. Seu objetivo é o conjunto dos conhecimentos de que o homem tem necessidade para viver sua existência com plenitude. Brandão (1996) afirma que na conceituação de universidade não se pode prescindir da ideia de universalidade. Universalidade da conceituação do ser humano, universalidade do seu conhecimento e de suas conquistas, universalidade dos anseios que afligem o nosso tempo, e, principalmente íntima conexão existente entre temporalidade e eternidade.

O conceito de universidade evoluiu, desde a concepção de que seu primeiro dever é a pesquisa, que só tem sentido como manifestação das investigações, passando pela ideia da simbiose da pesquisa com o ensino, a serviço da imaginação criadora. Inúmeros são os teóricos que se detiveram a estudos, buscando conceituar universidade, com forte ênfase na pesquisa e no ensino, basicamente.

Entretanto, os avanços das ciências e da tecnologia, mudaram significativamente a vida das pessoas. As transformações sociais, políticas e econômicas criaram necessidades de mercado, alterando demandas de formação de recursos humanos para funções especializadas, exigindo uma redefinição dos papéis desempenhados pelas agências formadoras, em especial, as universidades.

O conceito de universidade deve dar conta das necessidades atuais; contemplar as renovações e avanços da ciência e da tecnologia; resgatar a totalidade do conhecimento; em síntese, ser viável para sua época e seu contexto, sem perder a dimensão de universalidade e de acenar para a dimensão de futuro.

Definir universidade sob o prisma do ensino e da pesquisa apenas, é incompleto para explorar toda amplitude de sua missão. Um conceito de universidade deve privilegiar o ensino, a pesquisa e também a extensão de forma equânime. Centrando suas ações em torno destes eixos, a universidade fortalece sua dimensão institucional, tendo suas bases na produção e difusão do conhecimento novo, estendendo-o para a sociedade, que passa a ter acesso aos bens e aos avanços da ciência e tecnologia.

A universidade, segundo Cassimiro (1983) precisa estar em constante processo de reflexão sobre si mesma. Conceituar-se permanentemente, mais do que se autodefinir. Definição significa delimitação de contornos e limites. Tal coisa não se coaduna bem como a natureza de um órgão vivo, em estado de constante evolução e ajustamento às necessidades da comunidade humana para a qual existe. Não se trata por conseguinte, de a universidade apenas se autodefinir, mas sim, de se autoconceituar, uma vez que este conceito será sempre algo provisório e suscetível a constantes aperfeiçoamentos.

Em outras palavras a universidade não pode definir-se e agir, deslocada e alheia ao seu contexto e sua época. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação é muito clara quanto à finalidade da Educação Superior em seu Artigo 43: “estimular a criação material e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo, incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica (…); promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade (…); suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional (…); estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade (…); promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição”.

Extensão é uma função dialógica da universidade com a comunidade interna e com seu entorno. A matriz dialógica se configura pelas interfaces que esta estabelece com todos os segmentos da sociedade, com todos tipos de saberes e de realidades. É, portanto a efetivação de um movimento dialético que comunica e troca novos conhecimentos, dialogicamente, permitindo a abertura operacional da universidade ao seu meio, no sentido da circulação de informações, formando novas mentalidades, num processo contínuo, permanente, educativo, cultural e científico. A extensão tem caráter mobilizador e transformador, pois que, interfere na própria ação da universidade, avaliando-a; e nos movimentos da sociedade, promovendo melhores condições para o exercício da cidadania. Por conceituar-se como uma função dialógica da universidade com seu entorno, ocupa-se com os resultados efetivos e os avanços qualitativos de todos os segmentos sociais com os quais se envolve.

Descrever a práxis da extensão, diz respeito à forma como a ação se organiza, ancorada nas suas três funções tradicionais básicas: ensino, pesquisa e extensão. Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, as universidades são “instituições pluridisciplinares” e devem obedecer “ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”, segundo o art. 207, da Constituição Federal. Assim, se o ensino deve ser fundamentado na investigação (pesquisa); a pesquisa deve desmobilizar esquemas montados e buscar o conhecimento novo; a extensão, por sua vez, tem a importante tarefa de difundir o conhecimento produzido, fortalecendo todos aqueles que se aproximam da universidade ou aqueles dos quais ela se aproxima. Metodologicamente, na universidade há uma permanente interação com seu contexto, que se estabelece pelos objetivos determinados em seu Plano de Desenvolvimento da Extensão.

Entende-se extensão, como uma via de mão dupla: ela tanto pode ser pensada como uma modalidade de compromisso social da universidade que se efetiva pela prestação de serviços, sobretudo dirigida aos ausentes da universidade; quanto pode constituir-se na “oportunidade de elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico no retorno à universidade” (REIS, 1993, p. 28). Desta forma, ela se constitui num processo educativo, que articula o ensino e a pesquisa, buscando o comprometimento da comunidade universitária.

O trabalho de extensão para Buarque (1994, p. 137), deve ir além do campus, e é básico para a universidade que deseja revolucionar. “Sem o toque de fora do campus, proporcionado pela extensão, a universidade perde grande parte do seu poder de criação. Sem atingir a comunidade, a universidade se limita a exercícios, fechada em si mesma”.

Com efeito, a extensão se legitima, na medida em que se torna um meio de levar para a população marginalizada o saber elaborado no interior da universidade. Ela estabelece um elo entre o conhecimento e a realidade externa; subsidia a construção de um processo dialético entre a teoria e a prática e oportuniza um trabalho interdisciplinar, envolvendo diferentes áreas do saber e diferentes segmentos da universidade e da sociedade, primando pela transformação e autogestão dos envolvidos.

A extensão é a maneira de a universidade extrapolar seus muros e ir além. Cassimiro (1983) enfatiza que o conceito de extensão também se integra dentro de natureza de um ser em constante processo de evolução. Então, para ser resposta adequada aos anseios e necessidades da comunidade humana, a extensão precisa admitir constantes evoluções para ser um organismo organizado e para continuar existindo. Ensinar, pesquisar, fazer extensão, não passam de três momentos da mesma realidade, ou, mais explicitamente, três ângulos de um mesmo objeto. Na verdade, ensinar sem pesquisar é fossilizar conhecimentos. Pesquisar por sua vez, se constitui na modalidade mais consentânea de realizar o ensino. A extensão é um terceiro momento da mesma realidade. Ela coloca sob o foco da atenção universitária o aspecto de transcendência aos umbrais da universidade, para atingir os elementos da comunidade dentro da qual está inserida, ou cujo serviço, deliberadamente, se colocou.



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